terça-feira, 18 de maio de 2010

As crianças e os telemóveis

«No dia em que completou 10 anos de idade o pequeno Diogo foi surpreendido pelos pais com o presente pelo qual ansiava desde os sete: um telemóvel.

"Tinhamos acordado só lhe dar o telemóvel quando ele entrasse para o quinto ano, mas acabou por acontecer uns meses antes. Em Março quando chegou o aniversário dele, acabámos por lhe oferecer o tão desejado telemóvel, que no fundo era o presente que ele mais queria", conta a mãe, Lurdes Malcata.


Para o psicólogo clínico e psicanalista Eduardo Sá, "a melhor forma que os pais têm de lidar com a insistência dos filhos em relação a esta questão é, pura e simplesmente, dizendo não. As crianças reivindicarem aquilo que querem é perfeitamente normal, fazem o papel delas, o que não é normal é que os pais 'tremam' perante estas reivindicações".


Qual é então a idade recomendada para que as crianças tenham o seu primeiro telemóvel?


O pediatra Mário Cordeiro defende "só deve ter telemóvel quem precisa realmente de um telefone móvel e duvido que uma criança de 12 anos de idade tenha essa necessidade. Se as crianças tiverem tudo demasiado cedo, perdem o gosto pelas coisas que vão conquistando ao longo da vida e isso é muito negativo para o seu desenvolvimento".


Uma opinião partilhada por Eduardo Sá, que defende que "as crianças não devem ter telemóvel antes da pré-adolescência. Só a partir da altura em que começam a ganhar alguma autonomia, nomeadamente em relação à escola, é que me parece razoável que os pais as queiram ter um pouco localizadas e aí faz sentido terem um telemóvel, sendo que é necessário impor regras de utilização desde logo, regras essas que devem ser estabelecidas com bom senso e que devem ser cumpridas à risca, sobretudo pelos pais".


Apesar de não serem ainda conhecidos ao nível científico todos os efeitos negativos decorrendo do uso do telemóvel, a verdade é que a Food and Drug Administration (FDA) a agência norte-americana responsável pela regulação dos aparelhos que emitem radiações, tem aconselhado os fabricantes de telemóveis a terem especial atenção ao impacto das radiofrequências, especialmente em crianças.


Luciana Couto, docente do Departamento de Clínica Geral da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, salienta que "não devemos expor as crianças a radiofrequências e a campos electromagnêticos de que não se conhecem ainda os efeitos a longo prazo. Este é um tema que ainda divide muito a comunidade científica e na revisão dos artigos publicados torna-se imperativo seguir de perto, os possíveis efeitos de saúde que daqui decorrem, particularmente os efeitos a longo prazo", refere a especialista que, tal como Mário Cordeiro e Eduardo Sá, salienta que outro dos principais probelmas associados ao uso do telemóvel desde cedo é o facto das crianças começarem a criar hábitos incorrectos de escrita recorrendo muitas vezes a abreviaturas quando desenvolvem e redigem, por exemplo, um trabalho escolar».


Artigo retirado do jornal Dica da Semana

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