quarta-feira, 29 de julho de 2009

Desejo que desejes...

Foto de José Gama, in olhares.

Eu desejo que desejes ser feliz de um modo possível e rápido, desejo que desejes uma via expressa rumo a realizações não utópicas, mas viáveis, que desejes coisas simples como um suco gelado depois de correr ou um abraço ao chegar em casa, desejo que desejes com discernimento e com alvos bem mirados.
Mas desejo também que desejes com audácia, que desejes uns sonhos descabidos e que ao sabê-los impossíveis não os leve em grande consideração, mas os mantenha acesos, livres de frustração, desejes com fantasia e atrevimento, estando alerta para as casualidades e os milagres, para o imponderável da vida, onde os desejos secretos são atendidos.
Desejo que desejes trabalhar melhor, que desejes amar com menos amarras, que desejes parar de fumar, que desejes viajar para bem longe e desejes voltar para teu canto, desejo que desejes crescer e que desejes o choro e o silêncio, através deles somos puxados pra dentro, eu desejo que desejes ter a coragem de se enxergar mais nitidamente.
Mas desejo também que desejes uma alegria incontida, que desejes mais amigos, e nem precisam ser melhores amigos, basta que sejam bons parceiros de esporte e de mesas de bar, que desejes o bar tanto quanto a igreja, mas que o desejo pelo encontro seja sincero, que desejes escutar as histórias dos outros, que desejes acreditar nelas e desacreditar também, faz parte este ir-e-vir de certezas e incertezas, que desejes não ter tantos desejos concretos, que o desejo maior seja a convivência pacífica com outros que desejam outras coisas.
Desejo que desejes alguma mudança, uma mudança que seja necessária e que ela não te pese na alma, mudanças são temidas, mas não há outro combustível pra essa travessia. Desejo que desejes um ano inteiro de muitos meses bem fechados, que nada fique por fazer, e desejo, principalmente, que desejes desejar, que te permitas desejar, pois o desejo é vigoroso e gratuito, o desejo é inocente, não reprima teus pedidos ocultos, desejo que desejes vitórias, romances, diagnósticos favoráveis, aplausos, mais dinheiro e sentimentos vários, mas desejo antes de tudo que desejes, simplesmente.

Martha Medeiros

A Felicidade


Todos temos o mesmo objectivo na vida - o de ser Feliz! E cada um sente a felicidade de diferente maneira. Para uns, a felicidade passa por viver um grande amor. Para outros a felicidade passa por ter conforto dos amigos e da família. E outros ainda encontram felicidade no materialismo.
No entanto, isto por si só não basta.
Atingido um objectivo, temos necessidade de satisfazermos outro... e mais outro... e ainda outro... Por outra, nunca somos felizes?!

A questão é - somos felizes ou simplesmente vivenciamos estados de felicidade?

Segundo Daniel Gilbert, professor da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, que estuda a felicidade, qualifica a sensação de bem-estar - "É difícil dizer o que é, mas sei quando eu a vejo. É simplesmente se sentir bem." Para Gilbert "a felicidade não é uma sensação eterna, é um estado de êxtase, daqueles que se atingem nos momentos de extremos prazer."

Para Aristóteles a felicidade não é mais do que a nossa capacidade de contemplação: "Quanto mais se desenvolve a nossa faculdade de contemplar, mais se desenvolvem as nossas possibilidades de felicidade, e não por acidente, mas justamente em virtude da natureza da contemplação. Esta é preciosa por ela mesma, de modo que a felicidade, poderíamos dizer, é uma espécie de contemplação."

A felicidade existe nos momentos em que contemplamos a vida, porque até o sofrimento nos faz dar mais valor à felicidade...

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Síndrome de La Tourette

Síndrome de Tourette é uma desordem neurológica ou neuroquímica caracterizada por tiques involuntários, reacções rápidas, movimentos repentinos (espasmos) ou vocalizações que ocorrem repetidamente da mesma maneira.

Esses tiques motores e vocais mudam constantemente de intensidade e não existem duas pessoas no mundo que apresentem os mesmos sintomas.

O início da síndrome manifesta-se na infância ou juventude, atingindo estádios classificados como crónicos. Porém, no decorrer da vida adulta, frequentemente, os sintomas vão aos poucos se abrandando e diminuindo. Até hoje ainda não foi encontrada uma cura para a Tourette. Existem tratamentos médicos para minorar os sintomas da síndrome, porém, o consenso entre os profissionais da área é que os tratamentos precisam ser individualizados por causa das sempre presentes conseqüencias adversas da receita e aplicação de medicamentos.

Os referidos tiques são movimentos bruscos involuntários que podem se manifestar em qualquer parte ou conjunto de partes do corpo (barriga, nádegas, pernas, braços etc.), mas tipicamente eles ocorrem no rosto e na cabeça - no rosto em forma de caretas repetidas e na cabeça como um todo em forma de movimentos bruscos, repetidos, de lado-a-lado etc.

Um aspecto que merece ênfase ao se tentar explicar ou compreender essa síndrome é que os sintomas ocorrem involuntariamente. Raramente uma pessoa que sofre desta síndrome consegue controlar um mínimo de seus tiques e jamais por prolongados períodos de tempo. Assim como o ser humano não consegue viver por muito tempo com os olhos abertos, pois seu corpo reage de forma natural, inconsciente, para que seus olhos pisquem, dessa mesma forma se manifestam os sintomas da síndrome de Tourette no indivíduo por ela afectado.

A reacção de muitas pessoas desinformadas perante manifestações da síndrome de Tourette é a de fobia ao diferente e de repreensão. Especialmente quando a pessoa afectada pela síndrome de Tourette manifesta sintomas de coprolalia (tendência involuntária de proferir palavras obscenas ou fazer comentários geralmente considerados socialmente depreciativos e, portanto, inadequados. Coprolalia pode fazer referência a excremento, genitais ou actos sexuais.)Obviamente as consequências desse tipo de comportamento geralmente se traduzem em diferentes graus de desvantagens no âmbito social.

A água e o suicídio


Um estudo japonês concluiu que beber água com uma dose de lítio alterada (para mais) diminui os riscos de suicídio. Os dados são da cidade de Oita, que tem um pouco mais do que um milhão de habitantes. Nos bairros onde o nível do mineral era alto, os índices de suicídio faziam o caminho contrário e vice-versa.

O lítio é usado em medicamentos para estabilizar o humor daqueles que sofrem com o distúrbio bipolar, por exemplo. Os pesquisadores, no entanto, alertam que a solução (principalmente em um país como o Japão) NÃO é deitar o mineral na água. Afinal, em altas doses, a substância pode, claro, levar à morte.

P.S. Bebam muita água mineral...

terça-feira, 16 de junho de 2009

Risoterapia


Desde crianças ouvimos a expressão "rir é o melhor remédio".

Mas este conceito nunca foi tão levado a sério como nos últimos tempos.

O riso agora é considerado terapia, comprovada por estudos médicos e com resultados surpreendentes.
Na verdade, nem tão nova assim.

A risoterapia como método terapêutico existe desde a década de 60.

Quem assistiu ao filme Patch Adams conhece bem a história. O americano Hunter Adams, conhecido como Patch Adams já implantava o método em hospitais e escolas desde a sua época de estudante. Era comum vê-lo atender seus pacientes com nariz vermelho ou peruca de palhaço.
Partidário à eficiência do método é o médico clínico geral e homeopata Eduardo Lambert, especializado em terapias sistêmicas e autor do livro Terapia do Riso - A Cura pela Alegria, da Editora Pensamento.

Ele considera o riso como uma terapia complementar que auxilia na melhoria do estado emocional e orgânico das pessoas, em pacientes dos mais diferentes tipos de enfermidades.

"As pessoas já sabem deste fato, tanto é que até dizem: fulana ou fulano já está melhorando, pois já está até rindo", comenta o especialista.
Cientificamente, Eduardo considera o riso como um grande estimulador. É o riso o responsável por mandar a ordem para o seu cérebro, através do hipotálamo, que sintetiza as endorfinas, mais precisamente as betas endorfinas. Essas substâncias, que são produzidas nos momentos de bom humor e consequentemente do riso, são analgésicas, similares às morfinas, mas com potência cem vezes maior.
"O simples esboçar de um sorriso, o riso ou uma gargalhada bem gostosa - e quanto mais intensa melhor - cria uma onda vibratória que propicia de imediato um relaxamento corporal que se estende para todo o corpo, dando uma sensação de bem-estar físico, mental e emocional.

Protege ajudando a nos prevenir de várias enfermidades".
O médico avisa que quanto mais intenso, melhor. Mas que um simples sorriso, uma graça, situações cómicas, bons pensamentos, bons sentimentos, boas lembranças, pensamentos positivos, palavras de apoio e incentivo já são fatores importantes à síntese das endorfinas.

"É bom lembrar que sorrir nas adversidades é privilégio dos fortes."


O livro "A Terapia do riso" fornece 10 passos para você praticar a risoterapia, na sua vida. Confira as dicas de Eduardo Lambert:
Ame-se, estime-se e valorize-se.
Cultive sempre o bom humor.
Viva com paz na consciência.
Viva o presente com entusiasmo.
Cultive e pratique o bem.
Fale de assuntos alegres, conte piadas sadias.
Dê um sentido positivo e de qualidade à vida.
Tenha sempre atitudes positivas perante tudo.
Use sempre o diálogo, pois é conversando que as pessoas se entendem.
Ame o próximo como a si mesmo.
Semeie boas sementes para colher bons frutos.
Tenha qualidade de vida.
Ame a natureza e o planeta.
O otimismo gera simpatia.
Olhe-se no espelho e sorria para você.
Sorria muito, sorria sempre.
Risoterapia caseira
Rir é mesmo o melhor remédio. Saiba porquê. E não fique a olhar para o computador com essa cara. Sorria!
O riso aumenta a auto-estima, afugenta a depressão, alivia as insónias e as doenças psicossomáticas.
Tome nota destas 8 estratégias para encarar a vida com humor:
Não leve tudo tão a sério.Não se trata de se acomodar nem de ser passiva, apenas de se rir um pouco da tragicomédia que é a vida. O nervosismo e a ansiedade não a levam a lado nenhum.
Veja as coisas de outra perspectiva.A adversidade pode ser analisada de vários pontos de vista. Tente descobrir o lado positivo dos acontecimentos, e vai ver que não tardará em esboçar um sorriso.
Fim às inibições!Elimine as máscaras que a impedem de ser natural e de fazer o que lhe apetece. Baixe a guarda para se mostrar tal como é e, com uma gargalhada, ponha fim às barreiras sociais.
Ria-se das suas limitações.É a atitude mais saudável para evoluir. Assim, não só será capaz de se conhecer melhor como se vai tornar uma pessoa mais tolerante e condescendente com os outros.
Provoque o riso.Experimente o jogo do sério, mentalizando-se de que não se pode rir. Se se esforçar muito, vai acabar por ver o ridículo da situação e a gargalhada vai fluir facilmente.
Use um diário.Tome nota dos momentos mais alegres que a fizeram rir: uma frase que ouviu, uma má piada do seu chefe, um episódio com o seu filho ou neto... Releia-os e recupere sensações prazenteiras.
Lembre-se de coisas positivas.Quando lhe acontecer alguma coisa desagradável, para a contrariar, pense imediatamente numa situação positiva, de forma a que a última imagem seja sempre de felicidade.
Dê música à sua vida.Um truque para aliviar a ansiedade que às vezes a invade é inventar uma canção com as suas ideias e sensações e transformá-la numa música alegre.
Onde praticar
Se quiser aprofundar os seus conhecimentos sobre as terapias de riso, frequentar cursos e workshops, já existem em Portugal várias empresas e associações dedicadas à Risoterapia. Tome nota:
Clube do riso
Existem clubes do riso espalhados de norte a sul do País (Lisboa, Porto, Coimbra e Marinha Grande). Para se inscrever nos cursos de riso, vá até ao site www.clubesdoriso.com.
(Informação recolhida da net)
E já há tanto tempo que este cantinho está como que no esquecimento....grrrr!! Eu tenho andado sem tempo mesmo! E agora que ando numa fase semi-nervosismo (por causa da aproximação da data do casório) lembrei-me de como rir é o melhor remédio para quase todos os males!!!
Riam, mas riam muito!!!
Beijinhos**

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Ataques de Pânico


"O pânico é uma ansiedade aguda e extrema que é acompanhada por sintomas fisiológicos.

Os ataques de pânico podem ocorrer em qualquer tipo de ansiedade, geralmente como resposta a uma situação específica relacionada com as principais características da ansiedade. Por exemplo, uma pessoa com fobia às serpentes pode entrar em pânico quando encontra uma delas. No entanto, estas situações de pânico diferem das que são espontâneas, não provocadas e que são as que definem o problema como um pânico patológico.

Os ataques de pânico são frequentes: mais de um terço dos adultos manifestam-nos todos os anos. As mulheres são entre duas a três vezes mais propensas. A perturbação por pânico é pouco corrente e diagnostica-se em um pouco menos de 1 % da população. O pânico patológico começa geralmente na adolescência tardia ou cedo na idade adulta.

Sintomas e diagnóstico

Os sintomas de um ataque de pânico (entre outros, dificuldade respiratória, vertigens, aumento do ritmo cardíaco, sudação, falta de ar e dor no peito) alcançam a sua intensidade máxima no prazo de 10 minutos e normalmente dissipam-se dentro de poucos minutos, não sendo por isso possível ao médico observá-los, mas somente o medo da pessoa de sofrer outro terrível ataque. Como os ataques de pânico se produzem, frequentemente, de modo inesperado ou sem razão aparente, muitas vezes as pessoas que os manifestam preocupam-se antecipadamente com a possibilidade de sofrê-los de novo (uma situação conhecida como ansiedade antecipatória) e evitam os lugares onde sofreram ataques anteriormente. O facto de evitar os lugares que se temem denomina-se agorafobia. Se a agorafobia é suficientemente intensa, a pessoa pode chegar a enclausurar-se no seu próprio domicílio.

Como os sintomas de um ataque de pânico implicam muitos órgãos vitais, as pessoas muitas vezes preocupam-se pensando que sofrem de um problema do coração, dos pulmões ou do cérebro e procuram a ajuda de algum médico ou dirigem-se a um serviço de urgência. Embora os ataques de pânico sejam incómodos (às vezes de forma extrema), não são perigosos.

Tratamento

De modo geral, as pessoas recuperam dos ataques de pânico sem tratamento; alguns desenvolvem um pânico patológico. A recuperação sem tratamento é possível naqueles que têm ataques de pânico ou de ansiedade antecipatória recorrentes, particularmente se estiverem repetidamente expostos à situação ou ao estímulo que os provocam. As pessoas que não recuperam por si mesmas ou que não procuram tratamento continuam a suportar os processos de sofrimento e de recuperação de cada um dos ataques de maneira indefinida.

As pessoas respondem melhor ao tratamento quando compreendem que o pânico patológico implica processos tanto biológicos como psicológicos. Os medicamentos e a terapia do comportamento podem controlar, geralmente, a sintomatologia. Além disso, a psicoterapia pode ajudar a resolver qualquer conflito psicológico subjacente aos sentimentos e aos comportamentos ansiosos.

Os medicamentos utilizados para tratar a perturbação por pânico incluem os antidepressivos e os fármacos ansiolíticos, como as benzodiazepinas. Todos os tipos de antidepressivos tricíclicos (como a imipramina), os inibidores da monoaminooxidase (como a fenelzina) e os inibidores selectivos da recaptação de serotonina (como a fluoxetina) demonstraram ser eficazes. Embora se tenha provado a eficácia de várias benzodiazepinas em ensaios controlados, só o alprazolam está especificamente aprovado para tratar a perturbação por pânico. As benzodiazepinas actuam mais rapidamente do que os antidepressivos, mas podem causar dependência física e são mais propensas a desencadear certos efeitos secundários, como sonolência, alterações da coordenação e aumento do tempo de reacção.

Quando um medicamento é eficaz, previne ou reduz em grande medida o número de ataques de pânico. Pode ser necessário tomar um fármaco durante longos períodos se os ataques de pânico reaparecerem depois de se ter interrompido o tratamento.
A terapia de exposição, um tipo de terapia de comportamento na qual a pessoa é exposta repetidamente ao factor que desencadeia o ataque de pânico, ajuda, muitas vezes, a diminuir o terror. A terapia de exposição continua até que a pessoa desenvolva um alto grau de comodidade perante a situação que provocava a ansiedade. Além disso, as pessoa que temem sofrer um desmaio durante um ataque de pânico podem praticar um exercício que consiste em rodar numa cadeira ou respirar rapidamente (hiperventilar) até que sintam que vão desmaiar. Este exercício demonstra-lhes que não vão desmaiar durante o ataque de pânico. Praticando devagar, as respirações profundas (controlo respiratório) ajudam muitas pessoas com tendência a hiperventilar.

A psicoterapia com o objectivo de conhecer e compreender melhor os conflitos psicológicos subjacentes pode também tornar-se útil. Um psiquiatra acompanha a pessoa para determinar se este tipo de tratamento é adequado. De forma menos intensa, a psicoterapia de apoio é sempre apropriada porque um terapeuta pode proporcionar informação geral acerca da perturbação, do seu tratamento e das esperanças reais de melhorar e pelo apoio que confere uma relação de confiança com o médico." (in manual merck)

segunda-feira, 16 de março de 2009

Bullying - violência em contexto escolar


Agridem os colegas da escola, humilham-nos em público e exercem chantagem psicológica e emocional.

Será que se trata de brincadeiras de crianças e próprias da idade?

Para a pedopsiquiatra Ana Vasconcelos, estes comportamentos apontam para algo que está errado.

"O humano é um ser gregário, por isso, há que avaliar as situações em que a relação com o outro se encontra marcada por um carácter agressivo."
Introduzido nos países escandinavos, no início da década de 80, o termo inglês "bullying" tem sido alvo de estudo nos últimos anos.

O conceito define "comportamentos de natureza agressiva, entre pares, com a intenção de provocar dano", diz Sónia Seixas, doutorada em Psicologia e autora de uma tese sobre bullying em contexto escolar.
A psicóloga indica, porém, que, embora este fenómeno tenha ganho eco nos últimos anos, o comportamento em si não é novo. "Há, agora, um olhar mais atento e direccionado para estas práticas", explica.

Ana Vasconcelos defende, ainda, que "sempre houve brigas entre miúdos". Mas, no caso do bullying, a violência não é pontual. "Estes comportamentos repetem-se no tempo", adianta a pedopsiquiatra.
E o que está na base desta violência gratuita?

"Há alturas em que a criança, para se sentir segura, precisa de mostrar aos outros que é mais forte", afiança Ana Vasconcelos.

E completa: "O bullying pode ser encarado como uma forma de exorcizar os medos."

Para garantir a conquista pelo poder, "os agressores vão detectando as suas vítimas nos recreios da escola".

O bullying baseia-se, por isso, numa luta desigual: há uma vítima e um agressor (também conhecido por bully). Segundo a pedopsiquiatra, as vítimas são, normalmente, "miúdos emocionalmente retraídos e com menos capacidades para encontrarem soluções ou fazerem queixa".
A psicóloga Sónia Seixas diz que nestes comportamentos "está implícita uma desigualdade de estatuto e de poder entre os alunos envolvidos". E, no contexto escolar, todos os motivos são válidos para colocar a vítima numa situação de inferioridade.

"O agressor exerce a sua supremacia através da força física, pelo facto de ser mais velho, de ter mais popularidade na escola e de ter um grupo de pares mais alargado. Contrariamente à vítima, que, regra geral, é um aluno mais negligenciado, mais rejeitado e com menos amigos que o defendam."

Aproveitando as fraquezas da vítima, o bully vai "minando a auto-estima e auto-confiança dos seus alvos". Cada vez mais impotentes, face às recorrentes agressões e humilhações, as vítimas vão-se "sentindo impotentes e sem capacidade de reacção", diz Ana Vasconcelos. "É no silêncio dos recreios barulhentos que têm lugar os comportamentos de bullying", reitera a pedopsiquiatra. E assegura que estas situações, por serem confundidas como diversão infantil, podem-se tornar quase invisíveis aos olhos dos adultos.
"O bullying às vezes está mascarado, porque, tendencialmente, ocorre em locais de pouca supervisão e vigilância dos adultos", corrobora Sónia Seixas. Há, também, casos em que a violência é exercida é confundida com brincadeiras de criança. De acordo com a psicóloga, urge desmistificar a falsa crença de que troçar e insultar faz parte do crescimento dos miúdos.

"Esta é uma ideia errada. Um dos motores de desenvolvimento da criança é o conflito. E este não pode ser ultrapassado com comportamentos de bullying. Não é normal que uma criança seja sistematicamente humilhada na escola, a ponto de lhe causar traumatismos psicológicos."

Pequenos e terríveis
Haverá uma verdadeira motivação para comportamentos de bullying?

"Os miúdos agressores têm uma auto-estima elevada e uma grande confiança em si próprios", responde Sónia Seixas.

A psicóloga refere, no entanto, que "a auto-imagem do bully é alimentada pelo sofrimento e domínio que exercem sobre os colegas".
Por encontrarem a vítima numa situação de vulnerabilidade e com uma rede social menos alargada, o bully agride o colega, insulta-o e a vítima não reage. E a partir deste momento torna-se um alvo fácil". Como a vítima se fecha em si própria e não se queixa - por ter vergonha e pelo medo de retaliação" - as agressões vão sucedendo no tempo.

O facto de a vítima ser frequentemente colocada numa situação de embaraço e de chacota pública perante os colegas, vai contribuir para "aumentar os seus níveis de insegurança, tristeza e depressão".
Segundo Sónia Seixas, para combater estas situações, "é preciso estar atento aos sinais de alerta".

A psicóloga diz que cabe aos pais e à comunidade escolar um papel mais interventivo nestas questões. A pedopsiquiatra Ana Vasconcelos partilha da mesma opinião, alertando para a necessidade de chamar os adultos à responsabilidade, já que as vítimas, por acharem que não vale a pena pedir ajuda, se encontram impotentes para encarar a situação.
"Os professores e os pais encontram-se numa situação privilegiada. Se as crianças chegam quase todos dias a casa com arranhões, com roupa rasgada, estes podem ser indícios de que estão a ser alvo de bullying por parte dos colegas na escola", observa Sónia Seixas. E salienta: "Ao notarem que a criança apresenta dificuldades em dormir, pesadelos e fobias escolares graves, os pais devem tentar perceber o que origina estes medos. Porque certos comportamentos ou reacções podem encapotar situações graves de agressividade por parte dos colegas."

Linha S.O.S bullying

808 968 888 é o número de telefone através do qual as vítimas de bullying podem solicitar ajuda. Com um horário de funcionamento entre as 18 e as 20h, a linha orienta as vítimas, via telefone, encaminhando-as para o profissional mais habilitado a intervir na situação.


Deixo-vos com este artigo,de um tema que me interessa bastante também!
Mais adiante em novo post,falarei de mais coisas acerca deste tema!
Beijinhos e uma boa noite
✿fifi✿
Post It Psicológico